Vinho e vinhedos em tempo de coronavírus

abadia loja
Loja da Abadia de Fontfroide no Languedoc.

No campo pouca coisa muda, afinal a natureza segue inexoravelmente seu curso. A poda já foi terminada em março, pois como diz o ditado popular – pode bem, pode mal nada substitui a poda de março. É o melhor mês para podar e também o último antes que a vinha desperte com o calor da primavera. As chuvas da estação e o sol trazem o verde de volta. Tudo verdeja. Mas não é só. Os fungos voltam a atacar e agora é hora de proteger o vinhedo do míldio. No campo não tem quarentena. Há cuidados, atitudes e gestos de prevenção.

Dentro das vinícolas é mais complicado. Em um primeiro momento todos pararam. Depois a retomada se deu utilizando medidas de proteção. A cadência para alguns diminuiu para outros segue firme. Toda a parte administrativa e comercial foi remanejada. Muitos trabalhando em casa, alguns fazendo rodízio e comparecendo na empresa em pequeno número. Outros em desemprego parcial dando meio expediente em casa. Haja coordenação.

abadia ff
A abadia de Fontfroide produz vinhos da AOP Corbières e IGP d’Oc. fotos divulgação.

O grande gargalo está na venda, na comercialização. Pequenos e médios produtores que vendiam localmente para bares e restaurantes passaram a fazer entregas a domicílio. Uma novidade no interior. No Languedoc a magnífica Abadia de Fontfroide, local de grande atração turística e produtora de vinhos desde a época dos monges cistercienses, tem 40% das suas vendas anuais nas vendas da sua lojinha. A entrega em casa não consegue substituir os milhares de turistas de cada semana. Exportar, vender para supermercados – onde nunca vendeu por ser um produto de prestígio – e buscar parceiros digitais são os caminhos. No entanto, nem sempre são possíveis de serem trilhados rapidamente.

Empresas focadas na exportação e nos supermercados conseguem algum sucesso. Em geral o momento é difícil. Não bastasse os problemas nas vinícolas há a questão do abastecimento das chamadas matérias secas: rolhas, etiquetas, cápsulas, caixas e outros insumos para a vinificação e tratamento do vinhedo. As gráficas não conseguem responder na mesma velocidade da demanda. Geram atrasos.

O pessoal do on-line, das lojas virtuais, vai bem, mas na França há um bom atraso em relação ao Brasil. Este mercado vai crescer rapidamente. Ah, lembro ao leitor que aqui as lojas de vinho podem abrir. Basta tomarem as medidas de precaução preconizadas: uso de máscaras, álcool gel, luvas e controle do número de clientes na loja.

Parar geral não é possível. A volta à normalidade está prevista para começar dia 11 de maio. Começar, repito. Santé.

2 comentários em “Vinho e vinhedos em tempo de coronavírus

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  1. Parabéns, caríssimo amigo. Além de saber degustar o vinho , é muito importante também saber a sua história. Saudações Tricolores.

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