Escassez de papelão, caixas de madeiras, paletes e garrafas atrasam a produção das vinícolas

 Não é só no Brasil que faltam as chamadas matérias secas utilizadas para a produção do vinho. As garrafas de vidro, caixas de papelão, caixas de madeira, paletes para transporte, tudo está em falta. A retomada depois da crise de 2020 pegou de calça curta muitos fornecedores. As causas são diversas e o aumento da demanda aumentou os prazos de entrega e os preços. A pandemia do Covid desorganizou o mercado. Faltam também containers e navios. Isto provocou altas enormes nos preços do transporte marítimo.

Caixas de madeira para os grandes vinhos estão em falta.

Com a falta e a demora na entrega dos insumos muitos produtores preferem se antecipar e comprar mais do que precisam para não ficarem sem embalagens e garrafas. O resultado é mais escassez e itens mais caros. Na cooperativa Sieur d’Arques, um dos grandes players do Languedoc, já se cogita um aumento nos vinhos e espumantes de 5% para o próximo ano. Isto somente para cobrir custos da alta da matéria seca. Importante lembrar que com a pequena safra de 2021 os preços vão naturalmente subir na Europa. As garrafas de Crémant Rosé, que são em geral transparentes, serão verdes, pois a outra está em falta. As garrafas com brasão gravado como nos Crus do Rhône, Châteauneuf du Pape em particular, estão com o mesmo problema. Os vidreiros estão priorizando as garrafas tradicionais e deixando para um segundo momento as personalizadas.

Navio porta containers em Fos sur Mer, Marselha. Foto divulgação.

O palete de madeira, item básico para o transporte, subiu 30%. A gasolina subiu apenas neste ano 9,5%. A situação é crítica para as caixas de madeira, usadas principalmente nos grandes vinhos de Bordeaux, que consomem 90% dos 1,2 milhões usados na França. No transporte marítimo os armadores estão com demanda em forte alta. Para o Brasil um navio vindo de Fos-sur-Mer , ao lado de Marselha, para Navegantes, SC, cobrava por um container de 40” 975€ e hoje subiu para 1980€. Já para China este mesmo container pulou de US$ 1000 para US$ 7500. Eles pagam mais caro, mas passaram a ser prioritários. Há menos navios vindo para o Brasil, a fila para o embarque cresceu. Com isso os importadores de vinhos estão antecipando pedidos e a fila cresce ainda mais. O resultado são custos mais altos e preços em alta na ponta. A inflação na Europa disparou. Não é diferente no Brasil. Antecipe você também suas compras para o final de ano. Santé.

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